sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Fotos...



Fazendo um pequeno mergulho em algumas partes do passado notei que as passagens da vida surgem como fotos não estáticas, não conseguimos fixar somente uma ou outra parte, mas lembramos sempre daquelas que mais nos marcaram seja de forma positiva ou negativa.

É como se abrisse um álbum de fotos na tela do computador e fosse lentamente selecionando algumas, ampliando outras, minimizando outras tantas, algumas dão vontade de deletar, mas para a mente este recurso ainda não foi implantado de forma eficiente.

Comecei a pensar em várias coisas e me bateu algumas sensações e conclusões. Percebi que temos constantemente a oportunidade de conviver e nos relacionarmos com pessoas diferentes, em locais diferentes, ocasiões de diferentes e também por motivos diferentes.

O que é mais fascinante é que podemos nos dar somente a oportunidade de decidir em se relacionar ou não, em abrir a porta pela primeira vez, porém foge totalmente do nosso controle o que resultará daquele primeiro contato. Baseado nesta conclusão pensei na fotografia, esta agora aquela mesma captada por uma objetiva e marcada em material sensível ou mesmo convertida em códigos binários que podem ser observados na tela do computador ou na própria câmera.

A foto é muitas vezes uma entrona que não pede licença para provocar em nós estes pequenos mergulhos em nosso próprio passado. Rubem Alves em uma entrevista concedida em um programa de TV e postada no Youtube diz que a foto tem a capacidade de burlar a morte, de eternizar o passado, por isso muitas vezes ela é traiçoeira. Ele disse também detestar fotos velhas e concluiu na mesma entrevista que andou rasgando várias delas em pedacinhos.

Quem não tem o hábito de olhar fotos de álbuns antigos às vezes? É uma hábito relativamente comum, não sei dizer se sempre benéfico. Mas tudo que foi dito até agora foi para comentar que em se tratando de alguns tipos de relacionamentos que temos com outras pessoas, penso que em todos aqueles que forem diferentes da amizade deve-se evitar registros fotográficos. O próprio Rubem disse que detesta álbum de casamentos por que "todos são iguais".

Ao clicar um momento você não sabe que o que você está sentindo naquele momento será o mesmo sentimento em um futuro próximo ou distante. Por isso às vezes você vê uma foto e sente vontade de rasgá-la. Se esta foto está contigo, é sua, tudo bem, mãos à obra. Porém, na era da fotografia digital isso foge do seu controle. Se hoje você rasga a sua, amanhã pode vê-la em algum álbum de alguém, ou e-mail de um desconhecido e esta mesma foto pode correr o mundo.

A foto é o flagrante do momento, o recorte do minuto que congela a lógica espaço-temporal das coisas. Ela te traz um passado que já não existe mais, mesmo se for observada um minuto após seu registro. O mais interessante é que às vezes a foto se disfarça de palavra, poesia, música, perfume...

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